O Apocalipse é um dos livros bíblicos mais difíceis de serem interpretados. Caracteriza-se pelo emprego freqüente de símbolos e figuras. Seus intérpretes discordam a respeito do modo e do tempo em que as visões dos capítulos 6 a 19 são cumpridas.
Identificamos quatro métodos de interpretação do livro de Apocalipse, a saber, o método preterista, o historicista, o futurista e o idealista. Há, ainda, intérpretes que defendem uma combinação desses métodos. O objetivo deste estudo é fazer uma abordagem sucinta de cada um desses métodos interpretativos, sem defender um ou outro.
1. O Preterismo
Essa corrente busca interpretar o Apocalipse com base no seu contexto histórico. O simbolismo desse livro se relaciona predominantemente (ou exclusivamente) com os eventos contemporâneos a João (o autor) e às sete igrejas asiáticas (os destinatários). O seu cumprimento teria ocorrido na destruição de Jerusalém (no ano 70 d.C.) ou do Império Romano.
Segundo essa interpretação, o Apocalipse teria sido escrito com o propósito de confortar e encorajar a igreja do seu tempo, em meio às terríveis perseguições que estavam sofrendo. A vinda do Senhor significa a intervenção divina a fim de destruir os governos perversos e estabelecer o seu reino (do Senhor). A besta simboliza o Império Romano; o falso profeta, a classe sacerdotal asiática que promovia o culto ao imperador. A grande meretriz do capítulo 17 seria a cidade de Roma no século I, ou, para alguns intérpretes, a Jerusalém apóstata. Segundo o método preterista, o Apocalipse não é um livro escatológico.
2. O Historicismo
O método historicista entende que o livro de Apocalipse é uma predição da história geral e eclesiástica. Esse método é extremamente amplo, podendo levar a diversas interpretações acerca dos símbolos e dos cumprimentos proféticos. O livro poderia fazer alusão a muitos acontecimentos, como as invasões bárbaras, o surgimento e a expansão do Islã, as pestes que ocorreram na Europa medieval, a Reforma Protestante, a Revolução Francesa e até as Grandes Guerras do século XX.
Uma linha de interpretação historicista que se tornou muito comum é a que identifica, na besta, o papado e, no falso profeta, a Igreja Romana. Por muito tempo o método historicista foi o predominante no meio protestante.
3. O Futurismo
O método futurista relaciona os símbolos e as profecias do Apocalipse com os acontecimentos do fim dos tempos, as últimas coisas. Tudo se encontraria no contexto da crise final que antecede a segunda vinda de Cristo. A besta seria um líder político que instauraria um governo mundial, exigindo a adesão de todos os povos. O falso profeta seria uma religião ou um movimento ecumênico que daria suporte espiritual ao governo do Anticristo.
Dentro dessa linha interpretação surgiu e destacou-se o dispensacionalismo. Este sugere que as sete igrejas asiáticas mencionadas no livro simbolizam sete períodos da história eclesiástica. Crê num arrebatamento secreto da igreja, ao que se segue um período de grande tribulação que duraria sete anos, no qual o povo judeu sofreria feroz perseguição, até que se convertesse a Cristo. Ao final desses sete anos, Cristo voltaria para destruir a besta, prender Satanás e estabelecer um reino de mil anos na terra.
4. O Idealismo
Esse método interpretativo não busca um cumprimento exato dos símbolos e profecias apocalípticas. O conteúdo do livro consistiria numa representação do conflito espiritual entre o reino de Deus e os poderes diabólicos. De modo que do Apocalipse se extrairiam princípios para guiar a igreja em sua batalha espiritual, qualquer que fosse a época.
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segunda-feira, 2 de abril de 2012
Introdução: Literaturas apocalípticas.
A literatura apocalíptica é um gênero de temática profética cujas revelações muitas vezes são mediadas por um outro ser mundano à um receptor humano, revelando uma realidade transcendente que é simultaneamente temporal, na medida em que prevê a salvação escatológica, ou espacial, na medida em que envolve um outro ser sobrenatural.[1] Sua origem se dá num conjunto de textos do judaísmo tardio e do cristianismo primitivo.[2]
A Literatura Apocalíptica é um gênero literário que encontra representantes tanto na literatura canônica, quanto fora dela.
Na
literatura canônica, destaca-se Daniel no Antigo Testamento; e o
Apocalipse de João no Novo. Naturalmente, existem outros textos com
características nitidamente apocalípticas como mencionaremos na
seqüência deste trabalho.
Na literatura extra canônica existem vários exemplos do gênero, citamos: O Apocalipse de Baruc, o Livro dos Jubileus, os Oráculos Sibilinos, os Salmos de Salomão, a
Assunção de Moisés, o Apocalipse de Enoque, a Vida de Adão e Eva, o
Apocalipse de Abraão, o Apocalipse de Pedro, o Apocalipse de Paulo, o
Apocalipse de Tomé, e o Pastor de Hermas.
A literatura apocalíptica distingue-se da profecia por vários aspectos, entre eles mencionamos: o caráter esotérico, o sofrimento dos santos aliado à esperança de libertação final mediante intervenção
divina, grande julgamento intervindo na história, a vinda do futuro não
como conseqüência do presente, e a visão dos ímpios como adversários de
Deus. Outras características são: conflito cósmico, combate entre dois adversários fortes, relato em forma de visão, e atribuição de autoria a um famoso personagem do passado.
1.1 Origens do Gênero Apocalíptico
“A literatura apocalíptica foi o resultado de uma esperança invencível e indestrutível que tomou conta do coração do povo de Deus, em época de crise.” [1]
Se fizéssemos
uma vasta pesquisa nos exemplos citados, inclusive entre os não
canônicos, perceberíamos quanto a literatura apocalíptica se faz
presente como fator gerador de esperança entre aqueles que passam
dificuldades.
No ano 586 a.C., Jerusalém havia sido destruída, e as elites israelitas estavam exiladas; Neste contexto surge um movimento reformador com duas tendências, que são antecessoras daquele que ficou designado como apocalíptico.
A primeira foi dirigida pelo grupo sacerdotal sadoquita, de tendência hierocrática, seu projeto era a reconstrução do Templo e do culto, como meios de restauração do povo. Sua contribuição para o movimento apocalíptico, e o gênero literário que ele criou, foi uma simbologia que se contrapunha ao mundo imperial persa, e uma linguaguem bem peculiar. Essa simbologia tornou-se uma das características mais evidentes do gênero apocalíptico.
A segunda, caracterizada pelo profetismo popular, baseava-se na escatologia apocalíptica do Dêutero-Isaías, e visava a reconstrução do povo sem necessariamente reconstruir as estruturas. O movimento apocalíptico é a continuação histórica desta tendência.
Por volta de 90 d.C., a Igreja cristã começou a sofrer perseguição de forma mais intensa por parte do Império Romano. Uma vez mais, em uma situação de crise fez-se uso do gênero apocalíptico para confortar o povo, e assegurar-lhe a esperança da intervenção divina em seu favor.
Como podemos observar, a Literatura Apocalíptica surgiu como uma resposta, uma reafirmação da certeza de que apesar das dificuldades momentâneas, no final, Deus conduziria seu povo à vitória; e ainda, da necessidade de divulgar as mensagens de Javé por meio de símbolos, uma vez que o Seu povo se encontrava em perigo, o que se tornou uma espécie de marca registrada do gênero.
1.2 A Apocalíptica no Antigo Testamento
No Antigo Testamento, encontramos alguns representantes deste gênero, dentre eles destaca-se - até por ser o maior - Daniel, cujo “autor reviu a história da época do exílio ao seu momento presente. Ele pretendia confortar e encorajar seu povo (...) o próximo passo só poderia ser a intervenção pessoal de Deus em seu favor.”[2] O que indica a apocalipticidade do texto.
O encorajamento ao povo tão necessário em uma hora de crise, contribuiía para enfatizar a idéia do remanescente fiel, bem como nutrir
a esperança messiânica; o que é perceptível mais adiante, quando no
tempo do Novo Testamento alguns nutriam expectativas messiânicas em relação a Cristo. Convém esclarecer, que esse messianismo presente naquela região, carregava consigo fortes conotações políticas.
1.3 A Apocalíptica no Novo Testamento
No Novo Testamento encontramos o maior, e mais típico representante deste gênero - exceção feita aà questão da autoria que não é atribuída a um distante personagem do passado, mas ao Apóstolo João - O Apocalipse de João, que retrata a perseguição da Igreja, e a sua vitória associada à do seu Mestre que ressuscitou.
Outros textos, com indicações deste gênero no Novo Testamento, são: Marcos 13; Mateus 24-25; Lucas 21.5-36; 1 Tessalonicenses, especialmente 4.13-5.11; 1 Coríntios 15; Gálatas 1; Romanos 1-8; 2 Tessalonicenses 2.1-12; Efésios 6.10-20; Judas.
Como constatamos pela exposição acima, o gênero literário apocalíptico, tem representantes também fora das fronteiras canônicas; e, à época em que surgiu o Cristianismo, já era conhecido; eventualmente, a Igreja cristã fez uso dele para conservar e propagar a sua mensagem, quando os poderes dominantes a ela se opuseram.
Para
os cristãos - como para os judeus havia sido no passado, e de certa
forma ainda o era no primeiro século - a apocalíptica foi uma forma de
resistir às dominações que se impunham, ao tempo em que as forças para resistir eram renovadas.
Isso
nos conduz a uma reflexão sobre o momento presente, e suas
dificuldades; bem como sobre o grande desafio para a Igreja, sobre como
prosseguir em sua caminhada rumo a eternidade apesar das grandes
dificuldades que ela enfrenta às vesperasvésperas das comemorações do jubileu do nascimento de Jesus Cristo.
Comemoramos dois mil anos do nascimento de Cristo, com o Cristianismo dividido em três grandes ramos - católico, ortodoxo e protestante - juntos, seus
fiéis espalham-se por metade do planeta. Se analisados individualmente,
observaremos subdivisões - igrejas nacionais, denominações, ordens, ...
- e tanto entre elas, quanto
entre os ramos maiores identificaremos perseguidores e perseguidos;
aqueles que em nome da fé se armam, lutam e matam apesar de cristãos;
como é o caso do conflito
entre o Exército Republicano Irlandês, formado por católicos, e o
governo britânico da Irlanda do Norte, de orientação Anglicana.
Encontraremos
ainda, aqueles que lutam pela sua sobrevivência como cristãos em meio a
outras religiões, como é o caso dos cristãos que residem em países
árabes. Esses últimos, podem a exemplo dos primeiros cristãos, encontrar
na literatura apocalíptica esperança para prosseguir em sua caminhada,
apesar dos graves problemas e dificuldades que enfrentam como cidadãos,
nas sociedades em que estão inseridas as suas igrejas.
[2] GABEL, John B.; WHEELER, Charles B. - A Bíblia Como Literatura, uma introdução - p.124.
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